BLOG COLETIVO, os temas são variados.
Tudo começou em 2004 numa comunidade de gente 'madura' do orkut, aos poucos cresceu a amizade e sintonia, apesar de vivermos em diferentes lugares. Participamos da comunidade fechada Jiló com Miolo no orkut, no Facebook, e no blog mostramos nosso 'espírito jiló'.
conselho de vó
Vi outro dia esse comercial na tv e pensei, puxa que legal! Uma avó simpática dando conselho pra neta.
Mas esse negócio do 'politicamente correto' é um pé...
Reclamaram e o anúncio foi tirado da tv, agora avisam que quem quiser ver tem na internet.
Parece que não se pode fazer piada, pessoas se sentem ofendidas. E o mundo vai se tornando chato e cheio de não-me-toques.
E agora Josés e Marias?
Somos todos olimpíados. O Brasil agora tornou-se um país do primeiro mundo.
E agora?
Quem paga as contas?
E agora?
Os benefícios futuros serão maiores que as dívidas por conta?
E agora José?
E agora Maria?
E agora?
Quem paga as contas?
E agora?
Os benefícios futuros serão maiores que as dívidas por conta?
E agora José?
E agora Maria?
O aniversário das feias
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Há um restaurante na Rua Lisboa muito peculiar, o Genova. Nasceu de um grupo de amigos, João e Luiz Giannesi, Mário e Eduardo. que gostavam de cozinhar, inventar e experimentar receitas das regiões da origem de suas famílias. Vê-se que são italianos.
Anos atrás, desciam para Boiçucanga, punham-se a jogar cartas, na madrugada preparavam um espaguete ao gorgonzola, cujo aroma chegava até Maresias. Depois, começaram a fazer jantares ou almoços semanais em São Paulo. Cozinhavam para eles, convidavam amigos, amigos levavam amigos, um dia decidiram abrir um restaurante diferente.
Conseguiram uma sala íntima na Rua Lisboa e com três toques montaram um cenário acolhedor, janelas com cortinas de renda, um jeito europeu em Pinheiros. Parece a casa da gente, ou melhor, a casa de um amigo que se esmera para nos receber.
Passou o tempo, os sócios se separaram, restaram João e Terezinha, sua mulher. Ele pensou em fechar, ainda que tivesse clientela fiel. Ela bateu o pé: “Fechamos e ficamos em casa vendo televisão? Por Deus, nem pensar.!” João continuou, pelo bem dos que conhecem o Genova. Há sessões de degustações de vinho e a tradição dos rituais de sexta feita com explicações de cada prato oferecido. São os recantos secretos de São Paulo, lugares aos quais voltamos, estabelecemos o hábito de comer sempre ali.
Dia desses, ao adentrar no Genova, vi uma enorme mesa preparada para 17 pessoas. Naquele momento havia apenas duas mulheres de meia idade sentadas bebericando um vinho e comendo crostinis, polenta com funghi ou lingüiça calabresa, antepastos. Comecei a almoçar e elas foram chegando, até ocuparem as 17 cadeiras.
Perfumadas, em vestidos de verão, sorriam, falavam alto, se abraçavam, felizes. Cada uma trazendo um pequeno pacote, via-se que era um presente. Portanto, aniversário. Então uma coisa me chamou a atenção. Elas eram feias. Nenhuma daquelas mulheres faria um homem voltar o olhar na rua. Uma tinha os olhos baixos, a outra o nariz enorme, a terceira uma boca tão fina que mal se via o risco dos lábios, e havia orelhas grandes, pescoços compridos, ou curtos demais, queixos salientes, uma pinta debaixo dos olhos, ombros curvados, tiques nervosos. Desajeitadas, desengonçadas, sem graça. Ocorreu-me um pensamento maldoso: veria a convenção das feias do bairro?
Em dez minutos, falavam, riam, uma cantou uma canção que levou todas a aplaudirem, outra comentou: “ Com essa voz e esse jeito, você conseguiu o Amaury, que ninguém até hoje tinha conquistado, o Raj do escritório.” Diga-se que o Raj de Caminho das Índias é a bola da vez entre as mulheres.
Casos começaram a vir à tona, e nós, das outras mesas, ouvíamos, mas não nos incomodavam, eram histórias bem humoradas, sarcásticas, irônicas, pitorescas,. À certa altura, descobri que todas eram aniversariantes e estavam trocando presentes. Como eram número ímpar, uma ia sobrar. Não sobrou, uma pensou e levou dois presentes. Dois deles, por serem mais volumosos, vi o que eram. Um, Os Miseráveis, de Victor Hugo, edição de luxo da Cosac Naif. Outro, O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, edição da Agir, com as gravuras de século e meio atrás. Tenho os dois. Ainda se lêem os bons romanções.
Terminei meu almoço, fuzili com molico, torradinhas preparas com azeite e um cheiro de aliche, tomei meu sauvignon blanc Flor de Pulenta, pedi um café, dois, uma graça , fui ficando. Sorte a minha, uma das mulheres se levantou e foi ouvida em silencio.
“Estamos aqui, porque é o primeiro dia da nossa decisão de jogar fora. Atirar ao lixo coisas e lembranças inúteis que ocupam espaço em nossas casas e cabeça. Cada uma tem um objeto, um momento. Viemos dispostas a abrir espaços, construir vazios para abrigar coisas novas, boas, que não nos amarrem, nem nos deixem patinando na vida. Liberar a mente do freio de mão.”
Passamos a ouvir trechos de histórias, anedotas, aventuras, sonhos frustrados, conquistas bem-sucedidas, micos, elas tinham uma incrível noção do ridículo do mundo, e ríamos também, e nos admirávamos com tanta sinceridade e coragem, elas não estavam nem aí para os outros, partilhavam momentos especiais bons e ruins, amargos, trágicos. Não havia lamento, frustração, ressentimentos, mágoas.
De repente, percebi que elas não eram feias, aqueles pequenos defeitos, que anotei, iam desaparecendo, como no trabalho de fotoshop do computador, apagados por qualidades raras, difíceis hoje em dia, as do desprendimento, do humor, da brincadeira, do não levar a sério a vida e as confusões da vida, riam dos enganos, insucessos, erros, sabiam da pouca importância de tudo isso.
Aquela lição me envolveu, o importante não era feiúra ou beleza, e sim a capacidade de ser, estar aberto, gostar da vida, se alegrar, mostrar prazer e empenho na possibilidade de mudar, avançar, cancelar amarras, grilhões.
Rápidos, sutis, os jogos de palavras se sucederam intensos e elas se transformaram como a gata borralheira dos contos de fadas. Quando me levantei e passei pela mesa, elas erguiam um brinde a alguma coisa. Belas, como se tornaram belas aquelas 17 mulheres.
Ao sair, carregava uma dúvida. Feiúra? Não está na nossa maneira de olhar, em nossos preconceitos, mesquinhezas? Afinal, o que é um rosto? Como desvendá-lo?
IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
Crônica publicada no Estadão, em 25/09/2009
Só rindo
...Avisa para a Inglória Perez que "Caminho das Índias" ainda não terminou: "Empresário indiano detido com dois travestis em Copacabana"
...E esse Zelaya , que só dorme? Devia se chamar ZZZZZZZZZZZZZlaya! E o Lula vai lançar mais um programa social de ajuda ao Zelaya: BOLSA GOLPE FAMÍLIA.
...diretores de escolas estaduais farão protesto no DIA DO PROFFESSOR.Vão ficar pelados!Nu coletivo.Pelados no coletivo ou nu no coletivo?
E sabe o nome do presidente do sindicato, o organizador? Luiz Pinto.
(Jose Simão -folha sp)
...E esse Zelaya , que só dorme? Devia se chamar ZZZZZZZZZZZZZlaya! E o Lula vai lançar mais um programa social de ajuda ao Zelaya: BOLSA GOLPE FAMÍLIA.
...diretores de escolas estaduais farão protesto no DIA DO PROFFESSOR.Vão ficar pelados!Nu coletivo.Pelados no coletivo ou nu no coletivo?
E sabe o nome do presidente do sindicato, o organizador? Luiz Pinto.
(Jose Simão -folha sp)
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